11/21/2005
A magia de torcer canelas
Algumas frações de segundo são suficientes para que uma série de contrações musculares dêem forma às mais geniais jogadas de futebol na atualidade. Com a sintonia perfeita entre cérebro, pernas, pés e bola, Ronaldinho – o Gaúcho, o Assis ou o artista, como preferirem – pára o mundo e dribla. Com o olhar fixo em um ponto no horizonte que não pode ser observado pela córnea humana, o camisa 10 do Barcelona fantasia uma nova arte com antigos elementos. Espetáculo que desorienta e faz refletir. Será que o futebol, e não o cinema, é a sétima arte? Ou será que Ronaldinho é cinema e não futebol? O melhor a fazer é perguntar isso a um torcedor do Real Madrid.
No sábado, 19 de novembro de 2005 – seria uma heresia chamá-lo de último sábado uma data que ficará marcada na história –, o artista em questão resolveu dar uma pincelada surrealista na tela da minha casa. Encantado, agradeço. O jogo em questão, o sempre nervoso, colorido e apaixonante Real x Barça, é um marco no calendário esportivo mundial. Tal confronto permite elevar simples mortais à condição de mitos, mas a força do clássico espanhol é tão grande que alguns mitos – já agraciados com tal título – estavam em campo. Eram eles, Zidane e Ronaldo de um lado, contra apenas um Ronaldinho do outro. É lógico que estamos "mitológicamente" falando, porque se contarmos craques, promessas e galãs ainda poderíamos mencionar vários, como Beckham, Robinho, Raul, Deco, Eto’o e Messi.
Enfim, com o azul e grená de seu uniforme, Ronaldinho avançou desde o seu campo até a área adversária para marcar aquele que seria o segundo gol de sua equipe e o mais bonito da partida. No intervalo de tempo entre receber a bola e deixá-la dentro da rede merengue, o mágico brasileiro deixou Sérgio Ramos com a bunda dolorida ao colidir-se de forma vexaminosa com o gramado do Estádio Santiago Bernabeu, na capital da Espanha. Antes de parar o tempo na frente do goleiro Ike Casillas e bater em gol, ele ainda derrubou mais um zagueiro. Gol e festa. Três minutos depois ainda teria tempo para marcar outro e escrever, de uma vez por todas, seu nome no futebol mundial. Não é de estranhar que o estádio se curvou à magia da arte de Ronaldinho e bateu palmas.
É difícil acreditar que alguém tenha sido mais completo do que ele. Falam de Pelé, de Maradona e de Garrincha, mas não os vi. Até posso aceitar que tenha sido melhores, mas não de forma esmagadora. Não há dúvidas de que se por um desmando do destino nosso Ronaldinho desafiasse números e não canelas, o Brasil teria um Albert Einstein em suas terras. Mas, sinceramente, prefiro que seja assim. Não torço por Ronaldinho, torço pela bola. Que ela chegue nele e por lá continue bastante tempo. Que ele não chute a gol, que continue a dominá-la, domá-la, com sua habilidade suingada e sua inteligência apurada. Torço para continuar com saúde para assistir sua magia em torcer canelas.
8/31/2005
Nem falei do Adriano
A imagem é realmente chocante. O fenômento Ronaldo, acompanhado do mágico Robinho, na seleção, no Real e nas coreografias. E isso tudo em pleno Jornal Nacional! Perdoe-me, mas fui captado pela semente plantada em meu cérebro e não posso deixar a bola cair. Comissões parlamentares, denúncias, jeffersons, mistas, marcus e cuecas, definitivamente, não são estes os meus temas preferidos. Mil vezes mais, escolho sorrir com molecadas, palhaçadas e pedaladas dos donos da bola, que a cada dia assinam novos contratados com dezenas de zeros (à direita. À esquerda, só mesmo um cifrão).
Torço para que, a cada dia, consigam mais e mais empregos. Não só a eles, também a todos os jovens talentos ou pernas-de-pau que invadem os mais inusitados países para trabalhar e ser remunerado para isso. A labuta exige, portanto, novas funções e uma delas, no caso destes dois astros brasileiros de Madri, exige que pareçam amigos e descontraídos. Isso mesmo, são falsos como peito da Sabrina Sato. E, ao mesmo tempo, assim como a respeitada apresentadora, não me canso de assistir e, querendo acreditar ou não, é ótimo reverenciar.
Comparar, então, passa a ser a seguinte vontade. OK, os mais rigorosos críticos vão dizer que trata-se de uma prática injusta e desprezível. Concordo, mas não evito cometer tais pecados. Os enfrento de frente e coloco em uma balança a ascensão (e queda) de Ronaldo e Robinho. Longe de mim querer dizer que o futebol deles está acabando ou vai acabar. Na verdade a curva decrescente da fenomenal qualidade do dentuço é clara. Isso porque durante muitos anos foi realmente espantosa a sua habilidade para fazer gols. Agora, ainda que continue marcando, a confiança e a eficiência já não são iguais. De qualquer maneira, nenhum time ou seleção do mundo pode dispensar os serviços do ídolo, assim como o manter no banco de reservas.
Enquanto muitos observam a chegada de Robinho a Madri, comenta-se que algo de magnífico e único no futebol. Esquecem que há alguns anos, o Brasil queria saber, duas vezes por semana, quantos gols nosso atacante havia feito, seja pelo Barcelona, pela Internazionale ou até pelo Real Madri. Um novo drible ou uma arrancada espetacular eram promessas de assunto durante muitos minutos em qualquer botequim. A realidade é que o que hoje acontece com o Robinho, já ocorreu com o então Ronaldinho.
Hoje, o Ronaldinho não é mais o Ronaldo e sim o Ronaldinho Gaúcho. Entendeu? Então, basta falar o seguinte, como um prêmio a alcunha de ser o "Ronaldinho" agora está nas mãos do cabeludo do Rio Grande do Sul. Com um futebol espetacular, ele conquistou a Europa e foi considerado por Diego Maradona, como seu sucessor. Naturalmente que veste a camisa 10 e é com ela que brilha nos palcos do mundo, mostrando seu futebol objetivo, sim, e com firulas desconcertantes, também. Entre os três, suas características são as que permitem maior longevidade no esporte profissional de alto rendimento. Outro grande astro que não deve desaparecer das capas de jornais pela próxima década é Kaká.
Lá vou eu com essas teorias malucas. Não, não vou dizer que o Robinho não dura tudo isso. Durar ele dura, até porque é bem mais novo que o resto da turma. Mas, assim como o Ronaldo, o seu estilo de jogo terá de se modificar daqui a alguns anos para que continue a demostrar sua visão de jogo, inteligência e cumplicidade com a bola, mesmo que sem aqueles giros velozes e arranques inesperados. O drible dificilmente se perderá com a idade.
Enfim, não cheguei a nenhuma conclusão e, ainda por cima, enrolei todo o meu (e quem sabe o seu) raciocínio.
8/22/2005
Mistura na semana
Samba, tango e funk. Uma mistura inédita encharcou a mídia na última semana. No balanço do som, nem a insossa Copa Sul-Americana, nem o fim do primeiro turno, desviaram a atenção dos holofotes. Ainda assim, tiraram Garrincha de campo e transformaram a propaganda de cartão de crédito em documento importante da história. Conseguiram. O programa do canal 13 argentino, "A Noite do Dez", comandado por Diego Armando Maradona e que em sua estréia recebeu Pelé, afastou a mensalada mista (...a Vila Mimosa de Brasília que o diga) mesmo que por alguns segundos da caixola dos "brasilianos".
Deus e Rei que me perdoem, mas outro assunto abasteceu e rendeu o jornalismo carioca ligou mandou o recado. O que mais instigou olhos e ouvidos, na ensaboada semana, foram as grampos policiais que descobriram que jogadores de futebol estão nas pautas das conversas de varejistas da indústria do Narcotráficos.
"Nossa, o que é essa semana?", indagam-se os mais viciados (em futebol). Absolutamente, visto que a despedida de Robinho emplacou a tarde/noite dos fissurados. Bem ao estilo se vira nos trinta, o garoto da Vila se viu acuado, obrigado a se destacar nas partidas tanto em casa, quanto fora. Foi o que fez e, não pode se negar, com brilho. É verdade que, brilho este, ganhou luminosidade diferente. É como um "e nem foi tudo o que tinha", em que ele assusta não só os santistas, como todos os demais brasileiros de que em breve estaremos carentes de genialidade.
Lá se vão Robinhos, Ronaldinhos, Kaká e tantos outros. Esses que já no Brasil demostravam o tamanho de seus potenciais por envergar a camisa de seu times com extremo sucesso. O desembarque em novos aeroportos pareceu também conseqüência de anos de vistorias, provações e comprovações. No fim, contratações. Enfim, já foram e não estão mais aí. A Europa já é um berço mais aconchegante do que a seleção brasileira. Daí a recolher à marginalidade em partidas "à meia boca" no Brasil, na China ou no Croácia. Lá pela Copa, todos se encontram se abraçam, zoam uns com os outros e treinam. Acredito que acreditam que vencerão sempre. Torço que não seja um delírio e não chego a me assustar com a possibilidade.
Susto. Susto se toma mesmo quando observa-se que lá se vai o tal do Rafinha, que vai lá até já ouvi falar o nome deles em várias rodadas de gol no Brasileiros, mas que nunca desviou todas as atenções do país para o Coritiba (e OK, suspeito que isso seja bem difícil também). Muitos outros pegam na rabeta. Daí a ingressar no futebol alemão, como poderia ser o turco ou o chinês, como se fosse a menção honrosa de todo jogador em início de carreira. Hoje, se você for jovem e for bom de bola deve seguir a profissão de boleiro. Caso por um ato falho você atua bem em um jogo, com uma jogada fora de séria ou dribles desconcertantes, você então está apto a ganhar o mundo. Conheça o Romênia, Rússia, Coréia e tantas outras nações através de uma rede internacional de contato de empresários e dirigentes. Deus os abençoe.
Sim, e por que não? Claro que devem ir jogadores, embarquem nessa. Eu não pensaria duas vezes, para ser bem direto. Alguns pesam ficar para, aqui, ganhar tarimba e nome. É lógico que só até serem enviados à lavanderia de cérebro de "procuradores". Pomposo, não? Ainda assim, é realmente a escolha mais coerente. Afinal de contas, hoje com a mesma velocidade em que se vira rei, se perde a coroa. E aí meu filho, pensarás que era melhor ter dois e meio na mão do que trinta voando.
5/23/2005
A droga da Bienal
Na saída do Pavilhão Vermelho havia um grande tumulto. Esbarrões constantes criavam naquele cenário um clima angustiante e claustrofóbico. O alto volume das conversas incessantes prejudicava o pensamento e atormentava os mais desatentos que insistiam em parar e, assim, davam proporções maiores à confusão. Novo encontrão, uma reclamação em voz baixa sem interromper as passadas frenéticas, respiro e já estou chegando ao pavilhão vizinho.
Zum, zum, passou um carrinho carregando escritores e seus editores. Sim, porque não estou em uma rebelião de presidiários em Bangu ou Presidente Bernades. Estamos no Riocentro, em plena Bienal do Livro no Rio de Janeiro. Um evento que acontece há anos e que com seu tamanho gigantesco fertiliza os sonhos dos mais otimistas em criar um país de leitores.
Não que a utopia não possa um dia ser realizada. Muito pelo contrário. De que forma faremos isso é que é a pergunta. Um evento deste porte que, em 10 dias, reúne algumas milhares de pessoas não pode ser encarado como uma solução efetiva para transformarmos nossa dura realizada. Decerto é uma ótima estratégia de motivar futuros clientes do mercado editorial brasileiros, uma indústria milionária que move milhões de reais e têm planos de expandir seus negócios. Porém, o que mais precisamos é de uma postura agressiva de escritores – e, quem sabe, até editores – diante dos nossos governantes, exigindo educação pública de qualidade para todos.
Enfim, isso não tem nada haver com o assunto principal, que é: como alguém compra livro em um evento barulhento como a Bienal? Não tem como. Pelo menos eu acho que não. Tudo bem se ainda fossem preços espetacularmente mais baratos e o leitor tivesse que enfrentar este revés para garantir um custo benefício melhor, mas não foi assim que funcionou. Eram raras as promoções sensacionais. Além disso, a profissionalização do mercado já permite aos consumidores terem uma noção dos lançamentos. Ou seja, apenas o contato com os autores representava alguma novidade.
Antes que você se precipite e pense que sou um elitista e que quero a perpetuação da atual condição de país sem leitores, vou logo avisando: não é bem assim. A questão é: vamos fazer uma Bienal? Vamos. Vamos motivar a população? Vamos. Vai ser divertido? Vai. Porquê de não se fazer isso tudo direito? O visitante já chega nervoso com o descaso dos organizadores que não são capazes de informá-lo onde deve estacionar. Os guardas municipais mandam você para o próximo portão de estacionamento sem saber se adiante terão vagas ou não. E chegando lá dentro – quanto a bilheteria, não há reclamações – as pessoas se aglomeram de uma forma incompatível com uma feira literária.
Qual é a validade disso tudo? Uma nova geração de leitores dirão alguns. Será, será mesmo?! Desconfio que não seja bem assim. Esta é mais uma festa para inglês ver e fazer um estudo antropológico colocando os brasileiros como macaquinhos fascinados com páginas, cheias de letrinhas, encadernadas e com uma capinha bonitinha com o título da obra e o nome do autor. No final das contas, poderemos constatar se disseminamos o hábito da leitura ou se deixamos somente as prateleiras mais cultas.
5/18/2005
Como os EUA explicam o futebol
A globalização é um tema presente em diversos estudos atuais sobre o mundo e como os seres humanos convivem, ou não convivem, entre si. A cultura é abordada como uma forma de explicar as atitudes humanas e, muitas vezes, demonstrar como o indivíduo nem sempre consegue controlar efetivamente seu raciocínio e seu atos. O futebol é o esporte mais popular do planeta e, assim como o Big Mac (o famoso sanduíche que virou parâmetro cambial) foi inserido neste contexto. Franklin Froer - estadunidense, convicto torcedor do Barcelona e orgulho filho da geração yuppie de seu país - pescou interessantes histórias de times e torcidas em boa parte do planeta em seu livro Como o Futebol explica o Mundo (Jorge Zahar Editora, R$ 29,90) com o intuito de, adivinha, explicar o mundo.
Apaixonado por futebol em um país de amantes do beisebol, o jornalista viaja ao mundo atrás de controvérsias e assuntos mal resolvidos, sem cometer o erro de encontrar respostas e cair em moralismos ou, até mesmo, excesso de relativizações. Com um texto saboroso, rápido e leve, Froer propõe ao leitor uma aventura pelo mundo da bola na pele de um desengonçado repórter que se vê em diversas encrencas: ele mesmo. E o faz muito bem ao transmitir com habilidade suas conquistas na empreitada.
O livro, inspirado em Football Against the Enemy, de Simon Kuper, se apoia em relatos de torcedores para apresentar aspectos conhecidos, ou não, dos clubes e conflitos mencionados. Nos Balcãs, a ligação entre futebol e guerra civil não é uma mera associação criativa. Dentro e fora do Marakana, em Belgrado, Arkan – definido como o mais famoso gângster e tirano militar da história sérvia – comandou sua trupe de torcedores do Estrela Vermelha que não poupavam esforços para lutar por causas alheias ao futebol, como o nacionalismo sérvio.
Assim como no caso dos católicos do Celtic contra os protestantes dos Rangers, na Escócia, no entanto, e nos demais locais analisados, Froer não supervaloriza movimentos ocorridos no futebol. Um boa cerveja e lá vão mais alguns hooligans. Mais alguns negócios e lá se vai o "nacionalismo burguês" dos catalãos. Enfim, nem sempre considerar o futebol como algo além do simbólico é correto. No esporte, torcedores, atletas, dirigentes e políticos extravasam sentimentos verdadeiros ou não. Não há regras definidas, mas há uma interessante relação.
O livro, porém, comete alguns pecados. De fato, não é fácil para um compatriota de Cobi Jones e Tony Meola conseguir a, tão almejada e jamais descoberta, isenção em questões relativas ao próprio Estados Unidos ou o Oriente Médio. Nestes momentos, o leitor pode contestar afirmações e até duvidar da validade das informações nas páginas já lidas. Mas o conteúdo não pulveriza as vitórias oportunas de outros capítulos e nem inviabiliza uma percepção interessantes do esporte em ângulos e regiões inusitados, mesmo para quem busca informações em veículos especializados no assunto.
No Brasil, onde o estadunidense relata os mandos e desmandos dos cartolas, há uma leve, mas aparente, superficialidade no discurso. É inevitável, porém, que sejam cometidos esses pequenos delitos, já que o autor decidiu por fazer um apanhado de situações e não profundas análises de questões locais. O livro é um estudo (mas não é acadêmico, graças a Deus!) que merece ser lido com atenção, pois, mesmo que não levante essa bandeira, é mais um passo para a formação de público de literatura relacionada ao esporte e de um mercado editorial que o abasteça. Na terra do Michael Jordan parece que nasceu alguém para ensinar futebol para brasileiros.
|
Apaixonado por futebol em um país de amantes do beisebol, o jornalista viaja ao mundo atrás de controvérsias e assuntos mal resolvidos, sem cometer o erro de encontrar respostas e cair em moralismos ou, até mesmo, excesso de relativizações. Com um texto saboroso, rápido e leve, Froer propõe ao leitor uma aventura pelo mundo da bola na pele de um desengonçado repórter que se vê em diversas encrencas: ele mesmo. E o faz muito bem ao transmitir com habilidade suas conquistas na empreitada.
O livro, inspirado em Football Against the Enemy, de Simon Kuper, se apoia em relatos de torcedores para apresentar aspectos conhecidos, ou não, dos clubes e conflitos mencionados. Nos Balcãs, a ligação entre futebol e guerra civil não é uma mera associação criativa. Dentro e fora do Marakana, em Belgrado, Arkan – definido como o mais famoso gângster e tirano militar da história sérvia – comandou sua trupe de torcedores do Estrela Vermelha que não poupavam esforços para lutar por causas alheias ao futebol, como o nacionalismo sérvio.
Assim como no caso dos católicos do Celtic contra os protestantes dos Rangers, na Escócia, no entanto, e nos demais locais analisados, Froer não supervaloriza movimentos ocorridos no futebol. Um boa cerveja e lá vão mais alguns hooligans. Mais alguns negócios e lá se vai o "nacionalismo burguês" dos catalãos. Enfim, nem sempre considerar o futebol como algo além do simbólico é correto. No esporte, torcedores, atletas, dirigentes e políticos extravasam sentimentos verdadeiros ou não. Não há regras definidas, mas há uma interessante relação.
O livro, porém, comete alguns pecados. De fato, não é fácil para um compatriota de Cobi Jones e Tony Meola conseguir a, tão almejada e jamais descoberta, isenção em questões relativas ao próprio Estados Unidos ou o Oriente Médio. Nestes momentos, o leitor pode contestar afirmações e até duvidar da validade das informações nas páginas já lidas. Mas o conteúdo não pulveriza as vitórias oportunas de outros capítulos e nem inviabiliza uma percepção interessantes do esporte em ângulos e regiões inusitados, mesmo para quem busca informações em veículos especializados no assunto.
No Brasil, onde o estadunidense relata os mandos e desmandos dos cartolas, há uma leve, mas aparente, superficialidade no discurso. É inevitável, porém, que sejam cometidos esses pequenos delitos, já que o autor decidiu por fazer um apanhado de situações e não profundas análises de questões locais. O livro é um estudo (mas não é acadêmico, graças a Deus!) que merece ser lido com atenção, pois, mesmo que não levante essa bandeira, é mais um passo para a formação de público de literatura relacionada ao esporte e de um mercado editorial que o abasteça. Na terra do Michael Jordan parece que nasceu alguém para ensinar futebol para brasileiros.